quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Arco-Íris a preto e branco

A vida perde-se em meras palavras, simples segundos a levam sem nunca mais a devolver, e nós, sem nos apercebermos, perdemos o que de bom existe nela, aquilo que na realidade nos faz sentir vivos.
Se o mundo acabasse amanhã eu não teria tido tempo de me alegrar do que fiz, mas sim de me entristecer por tudo o que não fiz, o que não disse, o que na infinidade de pensamentos não consegui pensar.
Quero ver o nascer do sol a ouvir o bater das ondas, quero sentir o cheiro a menta do chá matinal.
Quero perder as lágrimas de mar e os amuos do deserto. Sinto que tem de haver uma mudança, uma ínfima mudança para colorir o meu mundinho em tempos cor-de-rosa, nas últimas semanas preto e branco.
O sol bate-me na cara mas o frio congela-me os sentimentos, sinto-me perdida, entristecida e pobre, pobre daquela alegria, do sorriso nos lábios, do bater acelarado do coração.
A vida prega partidas, e nós somente temos de acordar para elas, o problema é que por vezes isso se torna mais difícil do que parece e nós simplesmente nos afundamos nessas partidas sonolentas e ilusórias.
Os sonhos voltam, preenchem-me e simplesmente volto á vida, algo simples e eficaz, pois, o sonho comanda a vida, e isso torna tudo num feliz arco-íris de cores alucinantemente alegres e divertidas.
Um sorriso docemente nascido no meu rosto fazem-me sentir viva novamente.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Bailarina ao sol

O sol batia-lhe nas faces pálidas, que por detrás da janela se assemelhavam a flocos de neve.
Os lábios rubros transbordavam saudades de algo, e os olhos, esses mostravam solidão.
O olhar da menina direccionava-se para o vazio, aquele que cativa qualquer um quando não há mais lugar nenhum para investigar.
Era uma pessoa bela, sem dúvida que era. Os cabelos loiros atados num laço vermelho, a pele branca como o gelo, as maçãs do rosto salientes, olhos como esmeraldas e lábios rubros, bonitos e vistosos. Um corpo esguio, de meter inveja. Vestido tinha um tutu cor-de-rosa. O seu ar de mulher com um toque de infância faziam-na brilhar.
De repente, Olga virou-se, e na janela passou apenas a ser visível, um vazio do tamanho de um buraco negro.
Olga vivia num casarão abandonado desde que ficou sozinha à dois anos atrás.
Muitos diziam que ela enlouquecera, mas não era verdade. Ela somente se sentia só e abandonada.
Numa das paredes havia um espelho com dois metros de altura, mas muitos pedaços espalhados no chão sujo lhe faltavam.
Olga, de rompante, olhou-se ao espelho. Uma parte que faltava no espelho correspondia com a sua cara, logo, ela não a conseguia ver.
Num sentimento de fúria, de tristeza, a menina agarra num pedaço do espelho do chão, e com toda a força, parte o que restava do espelho em tempos digno de grande importância.
Gotas rubras corriam pelas suas mãos de fada e pintavam o espelho como se este fosse uma tela.
Os olhos de Olga transbordavam raiva, raiva de ser quem era, de estar onde estava, de fazer o que fazia.
As suas vestes ficaram sujas daquele sangue maldoso que teimou em sair daquele corpo triste e furioso. O silêncio pairava naquele ar gélido, apenas interrompido pelos gritos daquela que habitava a casa.
O sol, esse já não queria atravessar as janelas estilhaçadas e as cortinas rasgadas.
Esse preferia ser apenas um espectador daquele espectáculo quase mudo, quase morto.
Olga tinha umas sapatilhas de ballet, umas belíssimas sapatilhas de ballet, bastante gastas, mas também com uma extensa história para contar.
Olga fora em tempos uma menina de sorte, uma menina como todas invejam. Bailarina, prestigiada, mas um dia, a felicidade transformou-se em tristeza. Os pais tiveram um acidente á ida para um dos seus espectáculos, e o gelo não os deixou contar a sua história. Desde aí, Olga vive sufocada entre as quatro paredes daquele casarão degradante.
Como vêm, as pequenas sapatilhas têm uma importante história.
A menina perdeu as forças, e caiu no chão sem fôlego.
O coração tinha-lhe saltado da órbita, as veias tinham sido esquartejadas por aquela dor alucinantemente forte, mas a menina sobrevivera.
Não foi o bater acelarado do coração, não foi o parar da respiração e muito menos o sangue a fluir das suas mãos esguias que a impediram de pensar.
Olga pensou, pensou, pensou, até mais nada ter para pensar.
A menina mulher queria os seus pais, aqueles seres maravilhosos que ela tanto admirava.
De um segundo para o outro, Olga estava de pé, junto á parede bege. Soltou o cabelo da cor do sol, soltou as amarras da cor do vento, e começou a correr, um correr alegre, de criança, até um pouco atabalhoado para uma bailarina.
Ia na direcção da janela, a janela que não ia dar a lado nenhum, ou até iria. O sol tocava as suas faces agora rosadas. Os olhos estavam vivos, transpareciam beleza e felicidade.
De repente, ouviu-se o estilhaçar da janela, um grito mudo saído de um sorriso do tamanho do mundo.
Um clarão acolheu-a, ela estava livre outra vez.
Os fantasmas perdeream-se na correria infernal, Olga voltara a ser a criança alegre e divertida
Do clarão viam-se olhares, olhares daqueles que a acolhiam, eram os seus pais.
Quem via aquele fenómeno apenas conseguia visualizar um vulto branco com manchas vermelhas e uma estrela da cor do sol.
Olga tinha saltado da janela, Olga tinha-se suicidado.
A menina simplesmente seguiu o seu sonho, o sonho de estar novamente com aqueles que a amavam e deixar para trás aquela tristeza e raiva que a acompanhava já há dois anos.
Ao morrer, Olga voltou á vida.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009



"Olhe para tudo como se fosse a primeira ou última vez. Então seu tempo na Terra será repleto de glória."
( Betty Smith )