quarta-feira, 28 de abril de 2010

E se de repente...

E se de repente eu fosse tu e tu fosses eu? E se de repente as árvores falassem e o mundo, também de repente deixasse de existir? Podia haver um colapso, um estrondo, um simples silêncio avassalador, e de repente nada mais que o vazio e nada menos que a falta de vida existissem numa existência sem sentido, numa terra sem alma, sem corpo, sem nada.
Uma lágrima deixaria de ser uma gota de água salgada, quente e fofa que nos aconchega as faces e faz explodir o coração quando mais nada há para além da tristeza, ou do seu oposto.
O sorriso desapareceria na cara das crianças afogueadas pelo calor das camisolas azuis e vermelhas, que as mães, apesar do calor infernal os obrigam a vestir. Nas expressões soltas daqueles que com alegria ou com tristeza sorriem só por sorrir, para esconder algo mais importante que o sorriso, ou naqueles que timidamente sorriem só para não terem de falar. Ou ainda aquele sorrir de boca aberta virada para o mundo depois de uma queda completamente inesperada ou da piada dita na altura certa.
Não haveria a brisa primaveril a tocar-nos ao de leve pela manhã nem o cheiro a terra molhada após uma chuva de Inverno.
O sol não nasceria, não adormeceria por entre as montanhas, que, ao longe, o acolhem como uma cama quente e fofa, nem o tom crepuscular de um dia passado, uma esperança de ser feliz.
Simplesmente o chilrear dos gramofones, o bater das folhas caídas sobre a ténue fronteira do lago límpido e carregado de vida não existiriam, seriam meras memórias, ou talvez nem isso.
Aquele toque intenso dos jovens namorados, o beijo que trás uma mensagem de juízo da mãe ou até mesmo o abraço sentido de um amigo não passariam de meros momentos que deixariam de estar presentes.
A vida sem cor não tem piada, afinal quem quer uma viver a preto e branco? Tudo o que sobraria seria a saudade, se é que num Universo sem o nosso mundo as nossas almas existiriam para sentir a saudade de algo, ou de apenas nada.
Visto não sabermos o amanhã, vivamos o presente como se fosse o último segundo, minuto, das nossas vidas, porque o fim do mundo pode chegar com a mesma rapidez com que este se formou.

domingo, 11 de abril de 2010

o tempo não pára...

Um dia sonhei que tu eras real, um dia sonhei que tu não me abandonarias, que ficarias pertinho até o sol tocar os cumes gélidos das montanhas, mas isso não aconteceu. O sonho era apenas um sonho, um permanente vazio, um puzzle incompleto.
Esta noite tu abraçaste-me, ajudaste-me a escolher o que vestir para o encontro com o rapaz giro lá da escola, deste-me um beijo de boa noite e aconchegaste-me os lençóis, o único senão é que tudo isto foi apenas mais um sonho, um dos muitos desejos de te ter a meu lado, de me veres crescer aos poucos. Mas tu fugiste, não quiseste ver o meu teatro da primária, não me ensinaste a andar de bicicleta, não me viste a sorrir quando toquei os primeiros acordes na guitarra, não me limpaste as lágrimas quando discuti com as minhas amigas.
Simplesmente, não estiveste lá, nem nos bons nem nos maus momentos, porque preferiste estar num mundo aparte, no qual ninguém te fizesse perguntas difíceis sobre a vida.
Quando olhares para trás, se é que algum dia o farás, verás o que perdeste, mas aí será tarde demais para o recuperares, porque a vida não espera pelas tuas decisões mal tomadas, pelas palavras mal ditas.
O tempo passa , eu não vou esperar que tu acordes só para me veres dar os primeiros passos na vida.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Cientistas da Vida

Hoje conheci um cientista. Não daqueles de cabelo desgrenhado e ar de louco, mas sim daqueles que acordam todos os dias ao ouvirem o despertador, que se vestem com roupas normais, e como pessoas normais percorrem a cidade, a vila, a aldeia, alguns como zombies ainda esgotados pelo dia anterior, outros com uma energia do tamanho do mundo, que percorrem as ruas a saltar e a correr, cantarolando a música dos desenhos animados. E assim esses cientistas vão para os seus trabalhos, as suas escolas. Sim, esses são os verdadeiros cientistas.
Cientista é aquele que com um simples sorriso transforma a vida numa festa, aquele que descobre o mundo a cada segundo que passa, aquele que todos os dias, na sua rotina, interfere na vida dos outros.
Ok, existem cientistas e cientistas, mas mesmo assim, não vos parece que tem mais mérito a pessoa que ajuda o seu amigo do que aquele que descobriu a lei da gravidade? Muitos diriam que ajudar quem nos rodeia não é ciência, mas parecendo que não, a ciência da vida é das mais difíceis de aprender.
Conseguimos viver sem saber as leis da física? Da astronomia? Da química? E muitas mais??? Podemos, obviamente que sim, se não pudéssemos como é que as pessoas que viveram antes dessas ciências serem descobertas viveriam? Mas, conseguiríamos nós viver sem a arte do saber, do pensar, do ver, do amar? Por favor, não digam que poderíamos, porque se isso fosse possível deixaríamos de ser seres humanos e passaríamos a ser máquinas sem sentimentos e vida própria.
Nós somos cientistas, não temos o prémio Nobel, não aparecemos nos livros escolares nem nas enciclopédias, mas de que é que isso nos serve? De nada. Porque a nossa ciência está escrita no livro da vida e o nosso prémio é aquele beijo doce de boa noite ou aquele sorriso matinal.
Somos os cientistas da vida e isso chega para sermos felizes.