Há quem diga que a vida não presta, há quem diga que a vida são dois dias, há simplesmente quem diga que a vida é um sonho, mas afinal, quem sabe o que é a vida na realidade?
Todos sabemos como nascemos, como crescemos, como morremos, então e o resto?
O resto é um poço infinito de pontos de interrogação, pensamentos, sonhos e muitas reticências.
Enquanto uns estão sentadinhos nos sofás a ver os filmes de sábado á tarde, outros estão a lutar pela vida, se é que isso existe, debaixo de escombros, sem casa, sem família, sem nada nem ninguém, é isso a que chamam vida? A viver uma tristeza sem fim, sozinho, uma vida de memórias passadas e guerras futuras? Sim, para alguns, isso é a vida, porque nem sempre se pode ter um beijo de boa noite, um aconchego dos lençóis, uma palavra de encorajamento. Alguns, a única coisa que têm são a roupa no corpo e um buraco no sítio do coração, porque quando perderam tudo o que de importante existia, o amor e a alma também se foi, partiu sem dizer um adeus e nunca mais voltou.
Na realidade, qual é afinal a lógica da vida? Qual é a lógica de uns terem tudo e outros não terem nada, não deveríamos ser todos iguais? Uns podem dizer que tem de existir uma hierarquia, uns têm de mandar nos outros para que haja organização, mas não é essa a realidade, não perguntem então qual é essa realidade, não sei responder.
Por mais motivos que tenhamos para dizer que a vida é um simples passo num Universo, um simples ponto final num livro, um desperdício de tempo, isso não é a pura verdade.
A vida vale a pena ser vivida, senão fosse assim, acreditem, nós não nos deambularíamos neste mundo que desde cedo nos acolheu como seu mestre. Se a vida não fosse importante não sentiríamos felicidade ao ver a primeira flor de Primavera, não nos iríamos esconder entre os cobertores nas noites de trovoada, não choraríamos numa despedida, não sorriríamos num reencontro, porque a vida é isso mesmo, um monte de altos e baixos, uns mais fundos que outros, mas todos fazem parte da vida, porque sem esse carrossel em constante movimento nós não daríamos valor áqueles momentos especiais que ficam gravados na nossa memória para sempre, não sentiríamos a dor de perder alguém, de simplesmente viver a vida à nossa maneira.
A vida são dois dias e um já passou.