Bate forte coração, bate.
Bate como se não houvesse amanhã, daquela maneira ofegante e sem ritmo que te deixa sem fôlego.
Bate levezinho, de mansinho, sem criar qualquer aforro entre o trânsito da tua alma.
Bate destemido, guerreiro com a mais importante das armas, aquela que te deu vida, há muito tempo, ao sol nascente, entre beijos acariciantes e doces daqueles que um dia se amaram de tal forma que tiveram o desejo de que tu batesses. Nessa altura os seus corações bateram de tal forma que se uniram num só e daí tu nasceste.
Batias devagarinho, juntinho a mim, e eu ouvia o teu coração junto ao meu.
Bateste feliz quando corremos nos campos verdes e floridos, o sol batia nos teus cabelos de ouro e as tuas faces rosadas faziam-me sonhar num dia melhor.
Bates-te sozinho quando te isolas-te e não deixas-te ninguém entrar no teu mundo negro e sufocante.
Bateste esperançoso quando viste a primeira flor de Primavera a nascer por entre a neve reluzente.
Bateste choroso quando recebes-te aquela notícia que te deixou triste.
Bateste sonhador durante todas aquelas noites em que o mundo era algo novo e encantado.
Agora, bates sem sentido, com aquele tremor leve do vazio que te abraça a alma, mas sabes que um dia baterás feliz outra vez, confiante de que tudo será o mundo cor-de-rosa que nas histórias infantis é pintado, porque não vale a pena pensar nos batimentos tristes e infelizes, mas sim pegarmos nos felizes e torná-los únicos e inesquecíveis.
"As «histórias» dos meus livros são desde há muito dadas por manchas como uma pintura."
terça-feira, 25 de maio de 2010
domingo, 2 de maio de 2010
sábado, 1 de maio de 2010
...
Sinto as lágrimas virem, devagar, batem á porta de mansinho e pedem para sair. Um aperto no coração faz-me pensar. Em quê? Não sei, mas penso, um simples pensar sem pensar, sem imaginar, sem recordar, somente um pensar no vazio infinito, no dia em que vou acordar e sonhar.
Ouço o som suave e ao mesmo tempo cortante do gelo a partir, do sol a nascer, da criança a correr e do sonho a fluir.
Não sei que diga, na realidade nem sei quem sou, mas afinal, de que me vale saber quem sou? Sou eu, apenas eu e mais ninguém, escrevo, sim, para me libertar deste mundo surdo e cego que aos poucos nos quer levar com ele para um vazio triste e sombrio.
Um véu de ignorância cobre-nos docemente, e docemente também nós o aceitamos como nosso, mas ele não é nosso, rompamo-lo, queimemo-lo, estraguemo-lo, até que consigamos ver as nuvens pairar no ar e o cheiro a relva molhada nos invada a alma cansada e desgastada duma vida sem fado, duma via sem nada.
Pousemos o búzio sobre o ouvido e ouçamos o tocar das ondas frescas na areia fina, ouçamos o som surdo do luar, vistamos as mais belas cores e corramos, como se não houvesse amanha.
Temos que sentir o brotar das lágrimas no rosto quente, o sorriso rasgado, a vida vivida, o sonho sonhado, e aí saberemos quem nós somos, quem nós fomos, e quem nós seremos.
Ouço o som suave e ao mesmo tempo cortante do gelo a partir, do sol a nascer, da criança a correr e do sonho a fluir.
Não sei que diga, na realidade nem sei quem sou, mas afinal, de que me vale saber quem sou? Sou eu, apenas eu e mais ninguém, escrevo, sim, para me libertar deste mundo surdo e cego que aos poucos nos quer levar com ele para um vazio triste e sombrio.
Um véu de ignorância cobre-nos docemente, e docemente também nós o aceitamos como nosso, mas ele não é nosso, rompamo-lo, queimemo-lo, estraguemo-lo, até que consigamos ver as nuvens pairar no ar e o cheiro a relva molhada nos invada a alma cansada e desgastada duma vida sem fado, duma via sem nada.
Pousemos o búzio sobre o ouvido e ouçamos o tocar das ondas frescas na areia fina, ouçamos o som surdo do luar, vistamos as mais belas cores e corramos, como se não houvesse amanha.
Temos que sentir o brotar das lágrimas no rosto quente, o sorriso rasgado, a vida vivida, o sonho sonhado, e aí saberemos quem nós somos, quem nós fomos, e quem nós seremos.
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