quinta-feira, 23 de julho de 2009

Diferente

Sou diferente. Não sei o que é mais ou menos
Ninguém pode provar que é mais que diferente
Porque o ter consciência não me obriga a ter teorias sobre as
Coisas
Ter consciência é mais que ter cor?
Não sei

Duas pedras rolaram
Se sou mais que uma pedra ou uma planta?
sim, escrevo versos, e a pedra não escreve versos
sim, faço ideias sobre o mundo, e a planta nenhumas
não sei mais nada.

Comove-me a imensidão hermética do teu corpo
Há muito que perdes-te a lembrança do caminho do
Regresso
Que de mim
Ousa conhecer a memória do teu passado

A forma ausente com que dissimulas a ignorância
Só me obriga a ser consciente

Vens de longe
Nem sabes muito bem de onde.

Há muito esqueceste o cheiro do teu país
Sim: há diferença
Mas não é a diferença que encontras.

2 comentários:

  1. :)
    lindo...
    todos somos diferentes...
    a diferença une-nos e separa-nos...
    a diferença torna-nos únicos e especiais...
    como se fossemos estrelas, há mil e uma estrelas...
    cada uma com o seu brilho e com a beleza...
    beijinho fofinho

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  2. Ora aqui esta um texto digno!
    Enjoy:
    Na primeira fase, aceitar o abandono de olhar bovino. No choque, veio a ladainha do «mea culpa» o terror furioso que me anunciou a incapacidade de fazer arte elevada de algo tão privado, vergonhoso e ordinário como o que me deste. Quis que me lambesses as lágrimas numa atitude monstruosa de piedade. Quis ficar e fugir! Entregar-me às feridas infligidas, ao sangue que corria na tua direcção, que flúi brilhante e ameaça levar consigo a vida do ferido para as bocas delicadas da terra que vêm para carpir, numa paz devorar, e depois irem-se embora. Foi isso que quis.
    Rebentei num pranto que rastejou e trepou paredes cercando-me, um choro em tom de escárnio que não carregava verdade ou mérito. Queria-te, queria-te num ímpeto que rivalizava com a própria vida! Queria um lenitivo, uma cobertura de beijos, a suave pressão dos teus dedos teria apagado toda a dor, só um toque que me mostrasse a textura particular da carne. Amar-te numa dança desenfreada sem regras, sem amarras. Dor declarada com perfeita dignidade, queria de uma vez a vida ou nada. A candura do nada ou entregaria a sanidade à loucura da incompreensão.
    Hoje rio-me desse momento com um deleite depreciativo.
    Depois, fiquei alienada na existência. Achei-te pretensioso, rude e nojento no teu sumário que alberga tudo mas nada cria, de uma cupidez implacável apenas comparável ao pequeno invertebrado que se aloja nos ossos do hospedeiro e ai permanece, a respirar a liberdade dos meus pulmões, a amar o bater do meu coração, contabilizando cada noite sofrida na mecânica da respiração. Tal como o medo só vive na carne, assim um poder cobarde morre à minha consciência.
    O arrependimento é nada. Absolutamente nada. Consegues viver engasgado em limitações e erros ostentando essa tua coroa de lata, a julgar perversas as tuas pretensões absurdas. És tão triste como quem só tem martelo e pensa que tudo é prego.
    Hoje, é isto que te digo. O sofrimento é circunspecto. O sofrimento não grita. O sofrimento só aparece muito depois do horror à primeira vista do adeus, do horror numa lápide ou num espaço por ti em tempos ocupado, o sofrimento é circunspecto e imperturbável.
    É meu.

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