Era um dia normal, como todos os outros que me assombravam há já bastantes meses, e eu, permanecia impávida e serena, naquele jardim que dantes tinha sido de longas gargalhadas e brincadeiras, mas que agora somente servia como que um local pensativo, com um aspecto verdejante, aonde me distanciava do mundo cinzento que estava do lado de for, pronto para me penetrar nos ouvidos, me cegar a visão e me imobilizar os músculos mal me cruzasse com ele, naquele momento h.
Depois de um dia de trabalho intenso em que as cirurgias foram tantas que passado algum tempo os meus dedos já se moviam sem serem mandados, somente com o intuito de terminar aquela cirurgia e começar novamente outra, como se estivesse num ciclo vicioso, num local em que a única li existente é não parar de trabalhar, de cortar, analisar, ver, tirar, cozer.
É realmente um ciclo vicioso quando não existem coisas novas, casos diferentes, excitantes, que nos conseguem deixar acordados dias a fio, somente para o puderes visualizar, operar.
Passado esse dia de cirurgia intensa, tudo o que não queria era ir para aquele apartamento ao qual chamava lar, abandonado no meio de tantas casas iguais, sem qualquer cor ou vida.
A partir do momento em que saí daquele hospital repleto de pessoas, que passados meros segundos naquele local se tornavam, para mim, como peças de xadrez, mas, as quais eu não mexia, não tocava nem pensava em mexer, tornando-se, dessa forma, meras estátuas, de cores e texturas diferentes, mas sempre algo incomunicável, com as quais somente por uma questão de educação e de profissão me obrigam a dizer umas simples palavras, visto que numa cirurgia somente se fala com as mãos, nada mais.
Quando pouso o meu corpo cansado, frio e mole naqueles acentos finos de pele bege, sinto-me em casa, num dos pequenos locais do meu pequeno mundo, aquele que por vezes me torna num mero robô entre tantos mais que por lá existem.
Vejo-me no retrovisor, quando os meus olhos atingem a imagem daquela pessoa cansada, fria, sinto-me de uma forma péssima.
Os meus olhos, secas até então, tornam-se húmidos, salgados, as lágrimas que neles crescem, se desenvolvem, embaciam-me o olhar, vendo algo assemelhado a um nevoeiro espesso, baixo, que se torna cada vez mais implacável a cada momento que passa.
Rapidamente, saiu daquele local, deslocando-me para um sitio sem sentido definido.
Escassos momentos passados, olhei com uma certa indecisão para o local que realmente seguia, e vi-me a estacionar naquele jardim, aquele que me faz suspirar e sentir feliz, nem que seja por escassos momentos.
Saí do carro com uma agilidade que nem eu própria sabia possuir. Rapidamente, trespassei a linha de grandes plátanos e entrei no coração do meu mundo.
O cheiro a erva acabada de cortar, as flores de mil cores e feitios, os bancos de madeira áspera com a tinta branca a descascar devido a tanta chuva, sol, e vento pelos quais já passaram. Ali, tudo permanecia igual, como há vinte anos atrás.
Naquele jardim, eu sentia-me novamente com cinco anos, a menina com as tranças compridas cor de chocolate de leite, a pele braça como a neve, os olhos verdes que se assemelhavam a topázios. Os vestidinhos coloridos e simples que por muitos e muitos anos suportaram os meus maus-tratos, as lavagens sem fim, os rasgões cozidos e recozidos vezes sem conta.
Era assim que me sentia naquele preciso momento, um menina, sem preocupações, sem quaisquer problemas, somente com uma vida feliz.
Relembrava agora as memórias que me permitiam o curto mas intenso momento de felicidade, sentada na relva molhada, rodeada de formiga e outras espécies de bichinhos um tanto ou quanto invisíveis.
Quando ia lá com os meus pais, aqueles que agora desapareceram, em que me deitava a rebolar no chão juntamente com os meninos que lá estavam, eu ficava contente, como se me tivessem dado o maior presente de todos.
A sensação de liberdade rodeada de carinho, paz e amor deixava-me tranquila, satisfeita com a minha curta mas intensa vida.
A partir do momento em que os meus pais desapareceram da minha vida eu fiquei sozinha. Aquele injusto acidente em que a única culpada foi a chuva que tornava as estradas em rios e as cidades em oceanos levara-os no dia em que eu completara os meus dez anos.
Desde aí as minhas memórias felizes escassearam, guardando e relembrando somente aquelas já vistas e revistas, pensadas e relembradas vezes sem conta.
No emaranhado dos meus pensamentos, algo estranho e diferente sobressalta o um olhar, conduzindo-o ao ponto central do jardim.
Raramente ligo a barulhos, a habituação já e de tal forma grande que não sei o porque de este me ter despertado algum interesse.
Pus os ouvidos á escuta, e, só aí me apercebi de que aquele som abafado, quase inaudível, mas, predominantemente triste, saltava por entre as arvores, tocava os meus delicados ouvidos como se neles fizesse festas, pedindo para entrar, era um choro.
Por momentos pensei estar a sonhar, mas, rapidamente reparei que era tudo verdade, e assim, fui vasculhando por entre as árvores, tentando seguir aquele som.
Quando os meus olhos atingiram a fonte daquele choro desesperado e imaturo, as minhas forças perderam-se e o meu corpo atingiu o ponto estátua, sem conseguir transparecer qualquer pensamento de movimento.
Era uma criança, mais especificamente, uma menina.
Os seus caracóis loiros e brilhantes formavam cacho que lhe cobriam as costas. A pele pálida sem qualquer imperfeição aparentava um aspecto frágil. Os olhos numa cor que nunca antes tinha visto aparentavam um tom cinzento claro, do mais belo que já vira.
ouve lá, ainda não li tudo, mas como tu tás praqui a chatear-me já te deixo aqui um comentário'zito para ficares feliz da vida xP
ResponderEliminarlaviu, mitoitinhaaa (L)
Já li tudo. Escreves tão bem *.* bolas!
ResponderEliminarContinua a escrever essa história que eu quero ler mais, eheh :)
beijinho (L)
com este jeito pr escrever e vens pedir-me a mim pr te fzr uma música??!!!
ResponderEliminaradorei, bjk do eduardoXD
uau!! só este bocado k li dá.m uma vontade enorme de ler o resto! Acaba k eu vou ler, mesmo... =)
ResponderEliminartá mesmo fixe...
muito fixe ritinha...
ResponderEliminarcontinua a escrever para sempre, para eu poder continuar a ler estes textos lindos...
adoro.te PEQUENINA...
ola rita
ResponderEliminarescreves mt bem (eu ja sabia)
gostei mt li tudo e mts parabens continua assim...
bjk