quinta-feira, 16 de setembro de 2010

caderno de memórias



Sinto saudades das palavras a fluirem tal qual folhas ao vento, dos sorrisos doces, dos olhos ansiosos e melancólicos, sinto saudades de ti.
Daquele que em tempos enchia uma sala mesmo que só dentro dela estivessemos nós, daquele que me acarinhava cautelosamente durante as tempestades que decorriam dentro de mim.
Preciso que voltes novamente, e contigo tragas a parte que me roubaste, que me tiraste sem eu dar conta e que levaste somente com o intuito de me deixar sem nada, porque tu sabias o quanto eu amava essa parte que foi contigo, não foi a alegria, não foi a tristeza, não foram as memórias, foi a imaginação e a capacidade de eu ser especial, de escrever como mais ninguém escrevia, de encantar os outros com uma mera frase feita à pressa, de ser eu mesma, mas formada por letras e não por células.
Essa parte tu não permitiste que ficasse comigo. Porquê? Sabes que sem ela não sou nada, tiraste-me o meu "eu" verdadeiro, deixaste-me ficar vazia como um velho tronco caído ao abandono no meio da floresta.
Nem o teu sorriso, nem as tuas lágrimas me fariam saber quão maldoso foste ao levar-me assim contigo, porque na realidade foi o que tu fizeste. Não quiseste abrir mão do que de especial tinhas e então levaste sem uma mínima palavra, uma mera frase escrita no vidro da entrada como tantas vezes fazias.
Sabes uma coisa? Sinto saudades, tantas saudades daquelas tardes quentes em que tu me vias escrever, eu sentada no meio do jardim com o caderno entre as flores, e tu, ao longe, sentado na cadeira de balanço que estava no alpendre. Depois eu ía, deslumbrada com a tua imagem, o sol do fim da tarde a bater-te nos cabelos castanhos, os teus olhos brilhantes, e tu pegavas no caderno e lias, lias em voz alta como se para uma multidão se tratasse, por vezes rias, outras vezes conseguia ver uma lágrima a escorrer discretamente por entre as páginas do caderno. Um mero caderno, mas cheio de vida, de sentimentos, um caderno que era a nossa alma, a nossa existência.


Podes-me ter tirado o caderno, podes-me ter tirado a capacidade de escrever como dantes, mas não me tiraste uma coisa, a vontade de viver, essa permanece, portanto, podes ficar com as memórias do passado, porque eu ainda tenho muitos mais cadernos para preencher no futuro.

6 comentários:

  1. Texto exelente, despertou em mim sentimentos que procuro esconder de toda a gente, ou seja a parte mais sensivel e sentimental.

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  2. amei!! estás cada vez melhor ritinha! fantástico

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  3. lindo, como só vindo de ti consigo imaginar
    acho que a capacidade/habilidade para escrever está bem aí, lol, não desapareceu nem um pouco
    tás cada vez melhor
    primeiro alcançavas o coraçâo
    agora pergunto-me onde não chegas-te
    really good
    nice job, xD

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  4. Que Sentimentallll xD
    Ta muitooo bom ;)

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  5. espectacular mesmo.
    continua assim.
    bjks

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  6. Adorei ! MESMOOO!
    tenho um tag para ti no meu blog :)
    enjoy :)

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