
Num palco negro nascem luzes. Diamantes falsos dos tutus das bailarinas que em passo apressado brilham ao longe como olhos curiosos em noites escuras. A vela do espectáculo acende-se e apaga-se enquanto o vento sopra devagarinho.
Por trás das cortinas o mundo nasce todas as noites. Roupas, cabelos, sapatilhas de ballet perdidas.
Tic tac, o tempo não espera. O ranger das cadeiras acelera corações e o murmurar do público faz soar sinetas.
O espectáculo começa. Passos de valsa apressam a respiração. Sente-se um aperto e o chão move-se mais rápido que a bailarina. Incandescente está a lua e o sorriso cresce.
Notas de música não param. Caminham, apressam o andar e acabam correndo sem fôlego.
Por trás do palco as bailarinas esperam pelo seu momento. Roem unhas e riem baixinho. Porque elas são quem são quando ninguém está a ver. Porque as mãos transpiram e o batôn se esborrata quando está no momento de entrar. Porque o passo atrás quer ser maior do que o passo à frente.
Cantam canções de embalar quando ninguém ouve e dançam sozinhas numa sala vazia. Arrependem-se e querem voltar atrás. Estão sozinhas. Querem chorar mas têm medo de estragar a maquilhagem que mais parece um quadro. Sentadas no chão as bailarinas sabem que vai chegar o momento de tocar com a ponta da sapatilha no palco e fazer magia.
Respiram fundo e lembram-se dos sorrisos e das histórias de encantar. O momento é delas.
Com o mundo a seus pés, a bailarina, numa pirouette que acaba em plié põe fim a um sonho de uma noite.
O Blog devia ter um botão "like". Adorei Ritinha. Escreves cada vez melhor. O texto tem ritmo, muito bem escrito. Parabéns :)
ResponderEliminarlindo.....tal como da primeira vez que o vi, como texto Criativo, simplesmente perfeito, como a stora tbm gostou de referir
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