segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Num palco negro nascem luzes


Num palco negro nascem luzes. Diamantes falsos dos tutus das bailarinas que em passo apressado brilham ao longe como olhos curiosos em noites escuras. A vela do espectáculo acende-se e apaga-se enquanto o vento sopra devagarinho.
Por trás das cortinas o mundo nasce todas as noites. Roupas, cabelos, sapatilhas de ballet perdidas.
Tic tac, o tempo não espera. O ranger das cadeiras acelera corações e o murmurar do público faz soar sinetas.
O espectáculo começa. Passos de valsa apressam a respiração. Sente-se um aperto e o chão move-se mais rápido que a bailarina. Incandescente está a lua e o sorriso cresce.
Notas de música não param. Caminham, apressam o andar e acabam correndo sem fôlego.
Por trás do palco as bailarinas esperam pelo seu momento. Roem unhas e riem baixinho. Porque elas são quem são quando ninguém está a ver. Porque as mãos transpiram e o batôn se esborrata quando está no momento de entrar. Porque o passo atrás quer ser maior do que o passo à frente.
Cantam canções de embalar quando ninguém ouve e dançam sozinhas numa sala vazia. Arrependem-se e querem voltar atrás. Estão sozinhas. Querem chorar mas têm medo de estragar a maquilhagem que mais parece um quadro. Sentadas no chão as bailarinas sabem que vai chegar o momento de tocar com a ponta da sapatilha no palco e fazer magia.
Respiram fundo e lembram-se dos sorrisos e das histórias de encantar. O momento é delas.
Com o mundo a seus pés, a bailarina, numa pirouette que acaba em plié põe fim a um sonho de uma noite.

2 comentários:

  1. O Blog devia ter um botão "like". Adorei Ritinha. Escreves cada vez melhor. O texto tem ritmo, muito bem escrito. Parabéns :)

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  2. lindo.....tal como da primeira vez que o vi, como texto Criativo, simplesmente perfeito, como a stora tbm gostou de referir

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